João Vitor guarda mágoa de Felipão e diretoria do Palmeiras após confusão

Posted on outubro 13, 2011 por

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O volante João Vitor guarda mágoas do técnico Luiz Felipe Scolari e da diretoria do Palmeiras após o caso de agressão sofrido por ele na tarde de terça-feira,

em frente à loja oficial do clube. O jogador concedeu uma entrevista nesta quinta-feira, por telefone, e admitiu ter ficado chateado com as declarações de Felipão, que não o isentou de culpa pelos acontecimentos. Da diretoria, esperava maior esclarecimento.

Após o empate do Verdão contra o Flamengo, nesta quarta-feira, por 1 a 1, o treinador do Verdão pediu que os jornalistas pesquisassem melhor antes de emitirem uma opinião favorável ao jogador, e deu a entender que ele poderia ser o culpado. Sobre o afastamento de Kleber, João Vitor se diz chateado, e coloca o futuro nas mãos da diretoria.

Veja na íntegra a entrevista do jogador:

Pergunta: Agora que o caso já foi um pouco esclarecido, passado o nervosismo inicial, como você está psicologicamente? Já voltou aos treinos, compareceu ao CT nesta quinta-feira?
João Victor: Estou tranquilo, a história passou. Agora vou procurar fazer meu trabalho novamente, dar meu melhor. Fui lá, fiz fisioterapia, estou indo para casa agora.

Pergunta: Você ainda pretende voltar a jogar pelo Palmeiras? Consegue sair na rua sem preocupações?
João Victor: Tenho contrato com o clube, sou profissional, vou dar meu melhor até o final do contrato. Mas também depende deles. Receio fica, de acontecer de novo. Vou andar mais atento, prevenido. Fico com medo, mas vou seguir minha vida naturalmente.

Pergunta: Como você recebeu a reação dos jogadores, que não viajaram na terça-feira em protesto ao que aconteceu? E o afastamento de Kleber em razão da discussão com Felipão e a diretoria?
João Victor: Fico muito sentido pelo Kleber, ele foi um dos caras que mais me defendeu. Um dos principais jogadores do Brasil. O Palmeiras tem muito a perder com a saída dele. Eu tenho amizade com todos e respeito muito o Kleber. Mas fiquei muito feliz não só pela parte individual, mas pelo grupo. Como muitos falam que o nosso grupo não está unido, isso provou que o Palmeiras está fechado. O resultado não vem acontecendo por não estarmos numa fase boa, e não porque não querermos.

Só fiquei sabendo bem depois da decisão deles de não viajar, desliguei meu telefone. Procurei ficar o resto do dia dentro de casa, para poder baixar a poeira, ficar com meus familiares. Fiquei as 24h seguintes em casa, para poder tranquilizar.

Pergunta: E como recebe as declarações de Felipão após o empate contra o Flamengo? Ele não isenta você de culpa pela confusão…
João Victor: Vi a declaração dele, fiquei bastante triste. Mas tranquilo, cada um tem sua opinião, pensa como quer, vê as coisas da maneira que quer. Eu acho que fui a vítima. Isso que ficamos tristes. Cada um vê da maneira que quer. Os vídeos estão lá, cada um faz o que quer. Eu acho melhor não tocar no assunto, ele estava na hora. Eu falei o que aconteceu, ele viu. Ele interpreta da maneira que ele quer. Tenho com o Felipão somente um relacionamento profissional agora.

Pergunta: E sobre o torcedor que se diz agredido? Qual a versão real da briga? Por que a decisão de não levar o caso adiante?
João Victor: Pode ser uma forma de defesa. Se você olhar os vídeos, tem uma parte que ele está no chão e ninguém agride ele. Liberamos ele, falamos para ele ir embora. Prestei queixa dele sim. Só que quando eu cheguei na delegacia ele já tinha prestado queixa de mim antes antes.

Essa parte eu procuro deixar com os advogados do Palmeiras, que decidiram não levar adiante porque seria mais uma dor de cabeça, o caso já tinha repercutido muito. Então vou deixar por parte deles mesmo. Espero que eles sigam a vida deles, eu sigo a minha. Eles torcendo e eu jogando.

Pergunta: Como foi seu contato com a diretoria até agora? Alguém entrou em contato com você?
João Victor: Agora no treino tive uma conversa com o Galeano, ele veio esclarecer, falou para eu ficar tranquilo. Da direção, ninguém falou comigo. Tive apoio no hospital só, me deram chance para poder ficar um dia em casa tranquilo. Mas o apoio maior foi dos jogadores, que ligaram e conversaram. O Leandro Amaro me ligou, o Thiago Heleno, Luan, Patrik. A maioria deles quis saber como eu estava.

A gente fica chateado por essa posição da direção, estou defendendo a camisa do clube. Queria às vezes ter mais esclarecimento. A vida continua, cada um vai fazer seu trabalho. Nada contra os torcedores, esperava um apoio maior, mas cada um segue sua vida.

Pergunta: Você não foi o único jogador agredido pelo torcida do Palmeiras nos últimos anos. O que espera daqui para frente?
João Victor: Violência nunca é bom, mas eu acho que serviu para que todos que participam do futebol, as autoridades, possam olhar mais esse lado, a preservação do jogador fora de campo. Queríamos ser mais reconhecidos, ter mais apoio. Aconteceu, não fui o primeiro mas quero ser o último.

Não quero mais nada, espero retomar meu trabalho, poder ajudar o Palmeiras. Isso passou, fica para trás. Não poderia ficar em branco. O que espero agora é que cada um siga sua vida, que o Palmeiras volte a jogar e ganhar.

Pergunta: Porque a decisão de passar primeiro pelo CT logo após o corrido? O que aconteceu no vestiário?
João Victor: Eu estava ali do lado do CT. Meu cunhado levou um chute na cabeça, estava passando mal. Minha primeira decisão era ir para o CT, porque eu sabia que lá tinham os médicos, para depois ir prestar queixa. Falei até com os policiais, que não iria falar nada ali, que fossemos ao CT. Para que meu cunhado pudesse ser visto.

Quando eu estava chegando, com a camisa rasgada, ensanguentado, os jogadores viram. Isso não é normal no vestiário, vieram perguntar o que aconteceu. Expliquei que tinha sido agredido, por parte deles os próprios jogadores tomaram a decisão que tomaram.

Pergunta: Gostou da atuação do Palmeiras contra o Flamengo?
João Victor: Nem quis assistir ao jogo. Iria ficar irritado. Preferi desligar a televisão.

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